Quando somos crianças somos inteiramente livres. Livres de preconceitos, de ganâncias, de bons modos, de malícias, livres do armário.
Conforme vamos crescendo nossos pais, avós, professores e outras pessoas que convivem conosco vão nos moldando, direcionando-nos e conforme o que nos é sinalizado, vamos adaptando-nos.
Então, aquela criança que falava o que vinha a cabeça, que questionava tudo, que simplesmente saboreava a vida sem culpas e preocupações passa a pensar antes de agir e a agir baseada no que os outros vão pensar. É como se pegasse um passarinho que passou parte de sua vida livre numa floresta e o colocasse numa gaiola... E quem nos engaiola são nossos pais, por puro amor.
Só quando nos deparamos com a verdadeira face do mundo, que não perdoa quem da um pequeno deslize, que entendemos para o que fomos preparados durante toda a infância e adolescência.
Durante esse processo é que começa uma das maiores lutas da vida, a de ’’entrar no armário’’. Armário esse que se mostra belo e organizado, cabível dentro do quarto, mas que por dentro está todo revirado, armário que nos protege e que serve de barreira para as tempestades do mundo, armário que nos sufoca a ponto de volta e meia nos lançarmos para fora com todos os bichos e monstros que vivem no nosso mundo individual. É nessas horas que sofremos as consequências da liberdade: o peso, o julgo, o olhar, a dor. Então, recolhemos tudo, respiramos bem fundo e voltamos para dentro do armário.
Quantas milhares de vezes isso irá se repetir? Eu não sei... Penso que é um processo tão pessoal a ponto de ter pessoas que aparentemente nascem dentro do armário, embrulhadas numa bela caixa de presente, pois sentem com tanta naturalidade o fato de não poder ser natural. Outras já não, de cinco em cinco minutos despejam em cima de qualquer um tudo o que carregam. Esse blog irá falar sobre esse penoso caminho, sobre essas idas e vindas dentro desse armário chamado vida.
Penso que só nos livramos dele quando somos velhos, pois velhos já viveram toda a cartilha que se é cobrada viver, já pagaram os impostos, já trabalharam para a sociedade e como bônus ganham o direito de simplesmente serem o que são... Livres!
ótimo texto!
ResponderExcluirMas quem dera todos os velhos pudessem de fato viverem livres. Eles também voltam para o armário, dessa vez colocados pelos filhos, pelos enfermeiros dos asilos e por toda a sociedade que os olham como trapo velho.
Quem disse que a vida seria fácil não é?
PARABÉNS PELO TEXTO!