A espera! A mãe dos mais deliciosos e dos mais amargos sabores. A espera por nascer e começar algo que só você poderá viver, a espera que nos machuca ao entregar para a terra alguém que amamos e não saber se e quando vamos reencontrar, a espera para o dia do aniversário, a espera para a hora do intervalo do colégio, a espera da primeira transa...
Somos, desde nossa infância, condicionados a esperar, mas será que isso está realmente certo? A vida seria feita de esperas ou de chegadas? Acredito que de chegadas, pois a chegada nos surpreende e a espera, quase sempre, nos frustra e eu prefiro ser surpreendido a ser frustrado. Começamos a elaborar mais isso e a perceber o quanto o esperar é errado lá pela adolescência, quando a vida vai criando situações que nos mostram que nem nossos pais farão tudo por nós e não corresponderão ao que ansiamos. E não o fazem não é por má vontade ou por não serem bons e sim porque não nos devem nada.
Ninguém deve nada a você! Nem aquela pessoa por quem você tirou a roupa do seu corpo e a entregou para se vestir, nem ela lhe deve algo. A atitude foi sua e não dela e a necessidade não condiz com recusas. Então sempre que oferecer algo a alguém que realmente esteja precisando saiba que a pessoa irá aceitar e que será incapaz de lhe devolver. Favor não é emprestar um dinheiro, que uma hora se paga em quantia igual ou maior, não é matemática.
Será que você realmente é capaz de fazer um favor ou realmente é algo que só os velhos conseguem verdadeiramente fazer? Já não tem saúde para gozar de muitas alegrias da vida, já traçaram seus caminhos profissionais, já esperam a morte como alguém próximo e não como um assunto intocado como em outros tempos, mas mesmo assim fazem coisas por outras pessoas.
Se você não consegue fazer o favor como um velho não deve se sentir culpado por isso, pois isso faz parte do caminho do nosso amadurecer, mas previna-se de frustrações. Se você não é capaz de fazer qualquer coisa sem um dia receber aquilo de volta, não a faça.
Só faça o que for uma relação de troca e que você ganhe algo também. Não é crime nenhum querer se privilegiar, estamos aqui para isso. Enquanto não fazemos mal para ninguém e fazemos o bem para nós mesmos, a razão é nossa.
É melhor ser egoísta do que viver com a mão estendida.
O Amadurecer é um blog que retrata os acontecimentos da vida, pessoas e situações que nos levam a grandes transformações.
quarta-feira, 14 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
O ENTRAR E SAIR DO ARMÁRIO
Quando somos crianças somos inteiramente livres. Livres de preconceitos, de ganâncias, de bons modos, de malícias, livres do armário.
Conforme vamos crescendo nossos pais, avós, professores e outras pessoas que convivem conosco vão nos moldando, direcionando-nos e conforme o que nos é sinalizado, vamos adaptando-nos.
Então, aquela criança que falava o que vinha a cabeça, que questionava tudo, que simplesmente saboreava a vida sem culpas e preocupações passa a pensar antes de agir e a agir baseada no que os outros vão pensar. É como se pegasse um passarinho que passou parte de sua vida livre numa floresta e o colocasse numa gaiola... E quem nos engaiola são nossos pais, por puro amor.
Só quando nos deparamos com a verdadeira face do mundo, que não perdoa quem da um pequeno deslize, que entendemos para o que fomos preparados durante toda a infância e adolescência.
Durante esse processo é que começa uma das maiores lutas da vida, a de ’’entrar no armário’’. Armário esse que se mostra belo e organizado, cabível dentro do quarto, mas que por dentro está todo revirado, armário que nos protege e que serve de barreira para as tempestades do mundo, armário que nos sufoca a ponto de volta e meia nos lançarmos para fora com todos os bichos e monstros que vivem no nosso mundo individual. É nessas horas que sofremos as consequências da liberdade: o peso, o julgo, o olhar, a dor. Então, recolhemos tudo, respiramos bem fundo e voltamos para dentro do armário.
Quantas milhares de vezes isso irá se repetir? Eu não sei... Penso que é um processo tão pessoal a ponto de ter pessoas que aparentemente nascem dentro do armário, embrulhadas numa bela caixa de presente, pois sentem com tanta naturalidade o fato de não poder ser natural. Outras já não, de cinco em cinco minutos despejam em cima de qualquer um tudo o que carregam. Esse blog irá falar sobre esse penoso caminho, sobre essas idas e vindas dentro desse armário chamado vida.
Penso que só nos livramos dele quando somos velhos, pois velhos já viveram toda a cartilha que se é cobrada viver, já pagaram os impostos, já trabalharam para a sociedade e como bônus ganham o direito de simplesmente serem o que são... Livres!
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